II Reunião técnica sobre o Cancro Europeu mobiliza produtores de maçã de Vacaria e região

 Encontro promovido pela ABPM, Agapomi, Embrapa e Ministério da Agricultura do Governo Federal aconteceu no dia 21 de junho, com exposição teórica no Auditório da Uergs de Vacaria e apresentação prática dos experimentos na Embrapa Vacaria, seguida de visita técnica no Pomar Frutival, com a observação de métodos de controle. Participação expressiva dos produtores demonstra preocupação com os cuidados para diminuir a existência da praga.

Dr Silvio Alves apontando o Cancro na Pomacea (Cópia) Dr. Silvio e Dra. Mônica conversam com produtores locais Dra. Mônica Walter expõe realidade dos pomares da Nova Zelândia Observação dos Experimentos Embrapa (Cópia) Público presente preocupado com os avanços do controle do Cancro Europeu

 

O cancro europeu é apontado como uma das principais doenças das culturas da maçã e da pera no mundo. No Brasil, havia sido erradicada em 2002, mas há cerca de quatro anos ela reapareceu e vem causando muitos prejuízos nas principais regiões produtoras. “Estamos aprendendo a lidar com o Cancro. Já sabemos que se uma área estiver com mais de 50% de plantas contaminadas não se consegue baixar a sua incidência e o custo para manter o pomar fica muito elevado”, informa Sílvio André Meirelles Alves, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho e líder do projeto, que está sendo realizado há quatro anos, numa parceria entre a Embrapa Uva e Vinho, Embrapa Florestas, Universidade de Caxias do Sul (UCS), Proterra, Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e Universidade Federal do Paraná (UFPR), com financiamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

 

Adalecio Kovaleski, supervisor da Estação Experimental de Fruticultura de Clima Temperado (EFCT) da Embrapa Uva e Vinho em Vacaria, diz que a partir do público presente, é possível estimar a gravidade do problema que se apresenta na fruticultura regional, principalmente na produção de maçã. “É uma nova doença, de elevado custo para impedi-la na produção de maçãs, e que vem se expandindo por conta das condições climáticas. Trazer uma abordagem da Nova Zelândia, através da Dra. Mônica Walter, é poder trocar experiências, uma vez que o clima de lá é muito semelhante ao daqui e que pode nos ajudar no avanço do controle da praga, e sobretudo, mostrar aos produtores e técnicos a importância dessa doença, já que por muitos anos ela esteve nos pomares e muitos desconheciam. Mostrar ao público o que é a doença e o que representa é fundamental para que seja possível tomar os cuidados necessários para ou reduzir, ou aprender a conviver com o Cancro em nossa região” – sustenta.

 

O pesquisador acredita que a situação do RS é um pouco mais complicada, pela abrangência da doença e pelo tempo de distribuição de mudas contaminadas. É mais um desafio do setor, para tentar minimizar a evolução do Cancro.

 

Vanderlei Koefender, Secretário Municipal de Agricultura de Vacaria avalia como um problema bem frequente nos pomares aqui do Rio Grande do Sul principalmente. “Nós, enquanto Secretaria de Agricultura temos uma grande preocupação em achar soluções. Vamos fazer o que for preciso para ajudar, essa busca de conhecimento, por isso vemos nessa pesquisadora da Nova Zelândia, uma série de experimentos que ela fez e eu acredito que ajudam muito a conduzir o manejo da agricultura, porque uma vez instalada a doença é de difícil erradicação. A realidade deles é um pouco diferente, pois as áreas não são tão extensivas, mas algumas práticas de manejo, alguns produtos que eles utilizam lá também são utilizados aqui, então facilita bastante essa orientação para os nossos produtores. Obviamente que muitos já são bem tecnificados, mas sempre que a gente tem alguém que vem do outro lado do mundo com uma técnica de pesquisa, que muitas vezes com muito mais recurso também para trabalhar, nos traz uma série de informações que são importantes pro nosso dia a dia e o que de repente estávamos fazendo errado aqui, e que possa ser corrigido para ter uma condição de melhor controle”. Koefender avalia que a doença existe e precisa ser monitorada, precisa ter um grande controle e a Secretaria de Agricultura, fica sempre atenta, para saber o que vem acontecendo, e na medida do possível tentar sempre buscar a informação para ajudar os agricultores.

 

José Maria Reckziegel, presidente da Agapomi considera: “Nesta manhã podemos contar com o conhecimento de uma das maiores autoridades a nível mundial dessa doença que é a Dra. Mônica, e de fato ela nos traz uma série de informações que eu tenho certeza que vão nos auxiliar de forma significativa no combate a esse problema que vem afetando os nossos pomares. A saída evidentemente passa por maior cuidado, esmero a questão de remoções de lesões dentro do pomar e obviamente isso tudo conjugado com a aplicação correta de fungicidas”.

 

Reckziegel observa que a questão é que há uma dificuldade logística de se efetuar de forma toda esse trabalho porque envolve uma aplicação massiva de mão de obra e é justamente onde reside o maior problema: “E além disso a consecução adequada da aplicação do fungicida que deve ser levada em conta, uma série de fatores como a temperatura, a ocorrência ou não de chuvas, então todos esses fatores tem que ser levados em consideração, mas de uma maneira geral ela tem nos apresentado uma série de informações que tem sido bastante úteis. Você pode medir pelo auditório, a presença massiva de público mostra o interesse que existe nesse assunto porque efetivamente esse é um tema que afeta todos os pomares.

 

Dr. Silvio André Meirelles Alves, líder do projeto, sublinha que o evento foi um sucesso, o público mostrou isso, muita gente participando do evento. “A Dra. Mônica é uma pessoa que trabalha colaborativamente com vários países e aqui com o Brasil também. Já sentamos e conversamos sobre vários trabalhos que ela está desenvolvendo lá, e as intenções de trabalhos futuros. Também mostramos para ela o que tem sido feito, e daqui vai sair algum trabalho que será publicado para todo o público. Todo mundo está de olho numa forma que seja mais barata para controlar a doença, que gaste menos em dinheiro e em tempo. Todo mundo está sabendo e percebendo que o Cancro é uma doença muito agressiva e tem um crescimento muito rápido, então como parar esse crescimento é o que todo mundo quer saber. Fazer visitas periódicas de retiradas de cancro com a frequência necessária tem sido bastante difícil. O prejuízo é enorme. A longo prazo, se tem perda de ramos, pode ter a perda de plantas e ter diminuição do estande e consequentemente ter que fazer a reconvenção daquele pomar, até perder a vida útil daquele pomar. Nessa hora difícil a mensagem ainda é a mesma, precisa podar mais e pintar os cortes de poda, então infelizmente não existe um produto milagroso, já foi buscado em todas as regiões do mundo esse produto que viria ser a solução do problema, mas infelizmente esse produto não foi encontrado até agora”.

 

Depois da abordagem teórica, os participantes tiveram uma visita técnica na Embrapa, para observar o comportamento da doença para visualizar o dano neste período do outono/inverno. Kovaleski observa que nesta fase da safra, “através da queda da folha, muitas vezes fica uma lesão e nessas situações pode acontecer a possibilidade de entrada do Cancro nessas áreas. É a parte teórica, associada à parte prática”.