III SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE FRUTICULTURA TERMINA COM GRANDE ÊXITO

Na sexta-feira, 20 de maio, grande evento que reuniu aproximadamente 400 pessoas, entre produtores, agrônomos, expositores, cientintas, pesquisadores e estudantes de diversas partes do mundo, encerrou com almoço de confraternização na Casa do Povo, em Vacaria.

Foram três dias de intensa programação. De 18 a 20 de maio de 2016, O III Seminário Internacional de Fruticultura alcançou o objetivo inicial de promover a atualização e formação de técnicos com competência, programar e implementar o uso de ferramentas com precisão visando aumentar a produtividade e a qualidade dos pomares de maçãs, além de informar produtores sobre os desafios da cadeia produtiva. O evento se consagra, uma vez que, o público teve a oportunidade de poder presenciar a apresentação de conceitos inovadores na produção de maçã, com confronto de ideias e conceitos de renomados pesquisadores em nível mundial.

No primeiro dia, os participantes foram incentivados a abrir seus horizontes com as palestras de Marcelo Prado, Consultor Empresarial e o Case de Sucesso do Produtor norte-americano Rod Farrow.

Marcelo Prado falou sobre Sucessão Familiar – um tema bastante preocupante no cotidiano dos produtores rurais. Ele relacionou a importância de capacitar os empregados, aumentar a sinergia dentro da empresa e buscar valor, não quantidade: “Devemos mudar para que o mercado mude. Queremos que nosso filhos toquem nossos negócios mas se eles não tem preparo, vontade ou competência, é melhor que deixemos para um sobrinho, ou qualquer outra pessoa de fora da família.” – sustenta Marcelo.

Outro ponto bastante importante é a separação do que é lucro com o que é salário. Prado diz que, “por exemplo, no final do ano, uma parte do lucro pode ser investida na empresa e outra entre os filhos, além de assalariar os filhos que trabalham no negócio, com valores condizentes aos praticados no mercado, tudo como forma de incentivá-los a querer permanecer no campo”.

Rod Farrow, produtor de maçã em Nova Iorque, com área de 200 hectares plantados falou da grande oportunidade que teve quando comprou uma fazenda que era mantida por cinco gerações . Sua empresa mudou a estratégia de atuação, com o objetivo de aumentar a lucratividade. Para tanto, a nova estratégia desenvolvida foi não reduzir custos e sim, aumentar a percentagem de maçãs de maior qualidade e, portanto, maior preço no mercado.

Segundo Farrow, “o segredo não é produzir mais toneladas por hectare, mas produzir alta percentagem de frutas de tamanho e qualidade mais valorizadas mercadologicamente”. O painelista descreveu como são conduzidos os pomares de sua empresa com uma visão futurista, com grande interação com resultados de pesquisa e adoção de tecnologias inovadoras na produção de maçãs.

Após a Abertura Oficial, que recebeu autoridades do setor da maçã, administrativas locais, regionais, estaduais e nacionais, a palestra foi conduzida por Jorge Souza, da ABRAFRUTAS, contextualizando a produção de frutas a uma visão global do agronegócio.

Jorge Souza apontou que a base de tudo está na ciência e na tecnologia. E voltou a falar do “cartão de visitas”. Com esta base, o produtor tem condições de poder articular com o setor público e privado – e ressalta a importância das associações para que estas condições de poder de barganha sejam maiores e melhores. O desenvolvimento regional precisa ser sustentável.

Finalizando, Souza fala dos desafios que o produtor enfrenta, seja no registro de produtos, na burocracia da exportação, seguro rural, logística, mão de obra, pesquisa, ciência e tecnologia. Por isso é tão importante a organização: “O produtor, empresário precisa ter curiosidade, ousadia, criatividade e propósito empresarial para inovar de forma rápida e barata. É preciso pesquisar, articular, negociar incessantemente. Coordenar e agir, acima de tudo. Desejo que este seminário gere ação nos produtores e demais participantes.

No segundo dia, o tema caminhou para a parte técnica. A primeira atividade da manhã do dia 19 de maio foi um painel, conduzido pela Dra. Maraisa Crestani Hawerroth, Engeheira Agrônoma, Doutora em Melhoramento Genético e Pesquisadora da Epagri-Caçador (SC) e pelo Dr. Paulo Ricardo Dias de Oliveira, Engenheiro Agrônomo, Pesquisador da Embrapa Uva e Vinho.

Na sequência, o Dr. Pablo Grau, PhD em Melhoramento de Plantas pela Universidade de Cornell, Nova Iorque apresentou as Características do Programa de Melhoramento da Macieira no Chile. Sintetizando sua explanação, Grau definiu a produção no Chile dizendo que “para vender bem e exportar se faz necessário acrescentar características às variedades. É preciso encontrar uma variedade que o consumidor chegue ao mercado, veja o fruto e diga ‘uau!!!’. O objetivo é produzir algo novo e saboroso, que chame a atenção do consumidor”.

 

Logo após, o Dr. Carlos Chaves, especialista em Fisiologia Vegetal, apresentou o Panorama da Produção de Maçãs no México e novas variedades em Plantio, especialmente no estado de Chihuahua, mostrando dados e possibilidades de adequação para a região de Vacaria.

O palestrante trouxe uma nova tendência, que é a renovação de plantações antigas em outros formatos. Chaves falou sobre os porta-enxertos, sistemas de plantação, variedades de baixo frio – o que pode ser uma oportunidade aqui para a região de Vacaria, onde o frio não vem sendo suficiente no inverno para a produção atualmente plantada.

Chaves disse estar surpreendido com a qualidade dos conferencistas e o programa oferecido está bastante completo. Ele avaliou como satisfatória a organização do evento e toda a estrutura oferecida.

 

Michael Blanke, pesquisador sênior da Universidade de Bonn na Alemanha, com 155 palestras em todo o mundo nos últimos seis anos mais de 300 publicações, 200 em Inglês e 100 em alemão para os produtores locais, falou das condições climáticas. “O clima é o maior problema para todas as culturas. Não temos como prever o que vai acontecer durante a safra. Devemos buscar adaptação das nossas estratégias de produção”. Blanke comenta que temos que ver com bons olhos o que vem acontecendo com o clima, e se adaptar: “Pode ser que as mudanças climáticas sejam favoráveis”.

Ainda sobre o clima, Blanke disse que é importante fazer o acompanhamento da fenologia das plantas (culturas) e que é preciso se informar a respeito da realidade dos dados climáticos que são apresentados de fato, e se representam a área de produção de cada um.

Concluindo, Blanke acredita que o grande desafio no Brasil é convencer o mercado a consumir maçã Gala e Fuji, além de buscar minimizar a queimadura do sol – e já existem produtos capazes de proteger e melhorar a coloração. A alternativa, segundo o conferencista é buscar variedades mais adaptadas e o uso de telas para sombreamento.

Na pauta da tarde do dia 19, fisiologia, qualidade e conservação dos frutos iniciaram o debate. O  alemão, Dr. Moritz Knoche, da Universidade de Hannover abordou a Formação de Frutos, Cutícula e Cera: os fatores associados ao Russeting e sua prevenção.

 

Dr. Moritz diz que rachaduras no fruto são grandes problemas, pois dão abertura para fungos e bactérias, além da perda de água. Ele explica que a chuva gera maior presença de umidade e, portanto, maior presença de rachaduras na cutícula. Se a fruta tem uma maior exposição à umidade, no desenvolvimento inicial, isso vai favorecer a ocorrência de russeting.

Na exposição seguinte, Steve McArtney falou do ácido abscísico (ABA) – um hormônio vegetal que tem como função a regulação de vários aspectos ligados à fisiologia das plantas, tais como respostas ao estresse hídrico, inibição da germinação de sementes e o desenvolvimento dos gomos. (Wikpedia). Ele diz que este ácido dispara um gene responsável e acelera a coloração da uva de mesa.

“O ABA no outono acelera a queda das folhas em maçã – as folhas caídas devolvem os nutrientes ao solo e consecutivamente às plantas” – observa McArtney, que complementa que o spray de limo de enxofre diminui o russeting.

 

O Professor Auri Brackmann destacou formas de conservação da maçã após colheita. Ele considera a temperatura, o uso de fitorreguladores, a umidade relativa e condições de atmosfera controlada fatores importantes a serem respeitados. “Geralmente as empresas não controlam a umidade. A alta umidade causa podridão e rachaduras nas frutas. A baixa umidade murcha a fruta. É preciso haver monitoramento da UR nas câmaras”- salientou Brackmann.

 

Rod Farrow voltou a palestrar na tarde da quinta-feira, 19 no III Seminário Internacional de Fruticultura. Desta vez, para abordar uma visão abrangente sobre a mecanização e o custo destes investimentos nos pomares.

Farrow vê este tipo de investimento chegar para revolucionar a indústria e a vida do pomar. “É algo muito promissor, quando colhedores podem fazer de oito a 10 bins por dia, este desempenho pode ser melhorado com a mecanização, pois diminui os danos para os trabalhadores” – observa Rod, que disse que o grande desafio é fazer com que a máquina reconheça a maçã, diferenciando-a da árvore.

 

Leonel Dominguez contemplou o manejo de precisão como algo importante para a condução do pomar. Ele que é especialista em Suporte à Pesquisa e Mestre em Pomologia pela Universidade Cornell, em Geneva – EUA, disse que atualmente, o custo para a mecanização da colheita é cerca de um terço do que é investido  anualmente com pessoas. Dominguez diz que a inclusão de robôs para a colheita já vem sendo experimentada, com máquinas que fazem a sucção das frutas. O custo das máquinas gira em torno de $ 50 mil dólares, o que equivale em média ao trabalho de oito pessoas (no Chile). Este método precisa quea copa das árvores sejam estreitas.

Dominguez aponta que de modo geral, o tempo de colheita diminui pela metade, com o uso de plataformas mecanizadas. “Acredito que utilizar altas densidades de pomar é o melhor meio para facilitar o trabalho, mas especialmente é necessário mudar a forma de pensar e planejar o trabalho. Temos que acompanhar as tendências e, na medida do possível , colocar em prática”- observou.

 

No último dia de Seminário, as palestras falaram de Sistemas Intensivos de Produção. Os moderadores Celso Zancan e José Luiz Petri conduziram os trabalhos na manhã de 20 de maio.

A primeira palestra, conduzida pelo Dr. Michael Blanke, da Universidade de Bonn da Alemanha, abordou o Comportamento de Macieiras sob Diferentes tipos de Telas de Proteção.

Blanke diz que telas reduzem danos por granizo, queimadura do sol, induz menos coloração, já que há menor presença de luz, além de não interferir no diâmetro do fruto e aumentar o diâmetro do tronco.

Blanke afirma que sob as redes há menor transpiração da planta, não altera o tamanho do fruto, diminui a mão de obra com poda, reduz o raleio. “Ao escolher a cor da tela, deve-se levar em consideração o que se busca. Telas pretas duram mais que as brancas, mas propiciam menos coloração” – garante.

 

Alberto Dorigoni apresentou novos sistemas de produção para macieiras. Essa iniciativa visa reduzir o vigor e facilitar os tratos culturais nos pomares. Dorigoni diz que o objetivo é render mais com menor custo: “Aplicar a poda mecânica e reduzir a aplicação de químicos, além de ter os frutos mais próximos do eixo central, reduz a queima pelo sol”. Ele orienta que é fundamental aumentar o número de galhos líderes, ter astes na vertical, realizar poda curta, poda pós colheita e poda mecânica.

 

José Antônio Yuri, Professor da Universidade de Talca, no Chile foi o último palestrante a expor seu trabalho. Ele aconselha o que deve ser feito para assegurar a safra diante de altas temperaturas no inverno.

Contestando os levantamentos apresentados pelos colegas palestrantes, Yuri pontua: “Eu critico a opção dos colegas de levar as ideias de países completamente diferentes em clima e altitude para seu país, sem a realização de testes. Devemos levar em consideração a relação folha/fruto”.