Personalidade: José Sozo

 

 

 

73 anos e uma experiência para a vida inteira!

Associado na Agapomi desde 2000, foi presidente de 1989/1991, 1992/1994, 1994/1996. Sozo, como é conhecido, é produtor de maçã, de uva e de nozes. Vive em Vacaria desde 1987. Natural de Flores da Cunha, é casado, com Lorena Margarete Soldatelli de Sozo, também de Flores da Cunha. Juntos, tem dois filhos, nascidos em São Paulo: Eduardo, hoje com 40 anos, que trabalha na Rede Globo em Campinas, e já deu um neto de 10 anos, o Gabriel; e Rodrigo, com 42 anos, que está morando na Bélgica e trabalhando na Inbev. Rodrigo deve ficar por lá mais alguns anos. Lá, Sozo tem dois netos, Stefano, de 5 anos, Gustavo de 3 anos e mais um a caminho, o sagitariano Rafael, completando um exército armado com flechas (mãe, irmã, mulher, filho e um neto).

Até chegar aqui, Sozo percorreu um longo caminho. Estudou na primeira turma da UCS em Caxias do Sul, no curso de Bacharelado em Ciências Econômicas. Sedento por conhecimento, logo que formado foi para São Paulo, iniciar Mestrado em Administração de Empresas na Fundação Getúlio Vargas. Por lá, estudou dois anos, e quando pensava em retornar para Caxias do Sul, foi surpreendido por um convite de um colega de mestrado, filho do presidente da Cia Melhoramentos de São Paulo, um grande grupo de papel, celulose e editora: “No último semestre, ele me perguntou se eu não gostaria de ficar e trabalhar com eles, ai conversei com o pai dele e três meses antes de terminar o curso eu já estava trabalhando, fazendo carreira lá, onde fiquei 10 anos como administrador.

Depois, passou a trabalhar na CICA Jundiaí-SP, foi transferido para a fábrica de Pelotas-RS que era a maior empresa do sul em produção de alimentícios enlatados.  Lá fez uma carreira de quase oito anos. Em seguida, Sozo foi para a fronteira, trabalhar no Lanifício Albornoz. “Esta era uma empresa que tinha quebrado, os bancos estavam com credores e cooperativas, então virei diretor superintendente lá. Quando vi que não ia dar certo fui adiante, tive uma proposta para trabalhar em Porto Belo, ali em Tijucas-SC, na usina de açúcar. Quando eu cheguei lá e me apresentei, os caras olharam o meu currículo e falaram que não. Que eu não ia me candidatar para lá, então me mandaram para Fraiburgo. Fui visitar. Isso foi nos anos 83/84 – que considero uma década perdida. Era difícil achar emprego, ai resolvi abraçar essa, fiquei três anos em Fraiburgo” – conta o produtor.

Sozo passou um ano em Lages, tentando viabilizar um pequeno negócio com classificadora e comercialização de maçã.  Passou pela AGRIFLOR (grupo argentino), GALA FRIGRORI-FICOS até que não foi mais viável. Em 1993, o até então, executivo, decidiu optar por uma carreira de produtor e começou a plantar em sua área de terras. Voltou para trabalhar na Rasip em 1996, por sete anos até que saiu definitivamente para cuidar dos seus próprios negócios: “Comecei a me dedicar na minha área de terra em 2003, tocando inicialmente com o pomar de maçã, depois na uva e, mais tarde, com a nogueira pecã. Eu já tinha 35 anos de executivo de grandes empresas e estava cansado. Tive que inventar outro negócio. Eu já tive 45 hectares de maçã. Hoje tenho 30, erradiquei algumas áreas velhas que não quis mais plantar por causa da crise. Estou modernizando o pomar com novos clones e diversificando com 10 hectares de uvas finas para vinhos e noz pecã, hoje com 15 hectares e uma pequena área de 2007 em início de produção.

Sobre o tempo frente à presidência da Agapomi, Sozo considera muito bom e de muita experiência: “Pude participar das negociações de classificação da maçã do Mercosul, em Montevidéu, depois em Santiago do Chile em congresso internacional com todos os produtores do hemisfério sul e isso me deu um aprendizado enorme. Conheci gente que sabia, e como a gente não sabe de tudo, a gente acha pessoas que sabem para nos completar”.

Com a maçã, Sozo colhe, atualmente, em média 1.700 toneladas por ano e nos anos de resultados positivos investe na modernização e diversificação. “Olhando para frente, daqui sete anos, quando a nogueira começar a produzir, eu praticamente vou ter a maçã contribuindo com 50% da renda, e o restante fruto da diversificação com nogueira, a uva e o vinho.

Sozo fala da segurança que plantar maçã exige: “A maçã dá dinheiro, mas precisa de segurança, apoio do governo com financiamentos a longo prazo, pois é necessário instalar telas anti-granizo e buscar novos materiais e tecnologias no exterior. O produtor enfoca que a segurança da safra é muito importante, especialmente quando se contrata com importadores internacionais: “Eles querem segurança e compromisso de entrega no volume contratado, tentando fechar negócios em novembro/dezembro, quando a colheita ainda é incógnita pelos eventos de granizo”.

O produtor trabalha mais com a Fuji (55%) para reduzir o risco da colheita pela alta concentração de Gala no Brasil: “Aliás, creio que somos o único país do mundo que concentra o negócio em duas variedades. É preciso diversificar para ampliar o leque de opções e alongar o período de colheita. O produtor precisa se integrar a um bom parceiro para completar o processo de armazenagem e principalmente a comercialização” – avalia.

A uva e vinho entraram como diversificação e também pela tradição da família que suportou a renda de três gerações, após a chegada do bisavô em 1878: “Meu pai, com a debandada dos filhos que foram para a estrada (um caminhoneiro) e os demais foram estudar, vendeu o negócio de uva e vinho e foi para a cidade onde virou comerciante até se aposentar. Meu pai era associado a uma cooperativa e entregava o vinho a granel, metade derivado de castas italianas e o restante Isabel, uma híbrida americana que hoje é fonte para produzir sucos”.

Sozo fala sobre a produção de vinhos finos: “É um negócio complicado, devido à invasão dos importados, alguns de baixa qualidade e uma avalanche de contrabandeados. Produzir vinhos na região fria dos Campos de Cima da Serra é um desafio e uma grande descoberta. Os vinhos de qualidade tem origem nas regiões frias do mundo e nosso terroir, em 15 anos, tem ofertado ao consumidor vinhos surpreendentes e premiados em concursos internacionais. Enólogos de outros países nos dizem que nós produzimos vinhos europeus e não chilenos. Menos álcool, aromas de frutas e especiarias quando se usa moderadamente o carvalho, uma acidez pontual tornando-o um vinho mais gastronômico que se equilibra na harmonização com nossos pratos tradicionais” – observa Sozo, que apresenta suas variedades:

“Os destaques são os espumantes (pinot noir e chardonnay), vinhos tranquilos de merlot, chardonnay, sauvignon blanc e grandes pinot noir que, na avaliação de enólogos da Borgonha, tem a expressão dos vinhos daquela região clássica. A uva e o vinho produzido por Sozo é processada na Embrapa, sendo ele o primeiro parceiro pelo interesse de desvendar as características do terroir de uma região fria. Sozo diz que poderia fazer sua própria adega, mas vai deixar para seus filhos completarem o trabalho. Ele acredita que a partir de um bom vinhedo mais maduro, marca e produtos de qualidade vai ser mais fácil para consolidar o negócio: “Até, porque, segundo um especialista de marketing da Austrália, um vinho se consolida e vira um negócio com o trabalho de uma geração” – aponta o produtor.

A nogueira é uma relação desde a infância. Sozo conta que via na colônia que todos os lugares tinham umas três, quatro mudas e ele achava interessante porque aquilo crescia e se colhia sem nenhum cuidado. Ele analisa: “Os colonos antigamente plantavam, mas não faziam nenhuma poda. Deixavam galhar e tudo e o que caia era lucro. Aí eu fui atrás de quem conhecia. Fui no Pitol em Anta gorda, que me forneceu as primeiras mudas, depois com o Edson na Divinut em Cachoeira do Sul, e hoje estou com um desafio muito grande. A nogueira tem que esperar de 10 a 11 anos pra colher para dar uma safra cheia. Não é todo mundo que sai tentado a fazer, não é um trabalho aventureiro pelo susto que leva.  Mas poderia ser aventureiro quando digo o seguinte:  Você tem um canto abandonado e esquecido na tua terra, então, planta lá, cuida das formigas no começo, que daqui a pouco tu começa a ver a árvore produzindo e não precisa de muitos tratamentos”. Sozo está com 2 mil pés de nozes, plantados em 15 hectares e ainda está tateando com a densidade, sendo preciso acompanhar direito para ver mais tarde, lá pelo 12º ano qual é melhor.

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