O USO DE BIOINSUMOS NA AGRICULTURA BRASILEIRA.
A Legislação Brasileira define bioinsumo como o produto, processo ou tecnologia de origem vegetal, animal ou microbiana, incluído o oriundo de processo biotecnológico, ou estruturalmente similar e funcionalmente idêntico ao de origem natural, destinado ao uso na produção, na proteção, no armazenamento e no beneficiamento de produtos agropecuários ou nos sistemas de produção aquáticos ou de florestas plantadas, que interfira no crescimento, no desenvolvimento e no mecanismo de resposta de animais, de plantas, de microrganismos, do solo e de substâncias derivadas e que interaja com os produtos e os processos físico-químicos e biológicos ( Lei 15.070 de 23/12/2024),art.2,inciso II). Entre os já utilizados pelos produtores brasileiros podemos citar os biofertilizantes, inoculantes, biodefensivos e bioestimulantes.
Os bioinsumos, representam uma alternativa sustentável aos insumos químicos tradicionais no manejo agrícola. Eles atendem as crescentes demandas por práticas agrícolas mais alinhadas à sustentabilidade no campo. Ao relacionarmos as dimensões de sustentabilidade (social, ambiental e econômica) no desenvolvimento de insumos, busca-se ampliar a percepção e a entrega de valor na utilização dos recursos naturais. Essa visão alinha-se à bioeconomia que, em sua vertente do agronegócio, considera a utilização de recursos de base biológica como contribuição para o desenvolvimento sustentável das diferentes cadeias produtivas. Ganha a sociedade e o consumidor não só o brasileiro, mas o de outros países, com a oferta pelo agronegócio brasileiro de produtos mais seguros e com a redução da contaminação ambiental pelo uso de produtos químicos.
Em todo o mundo, se observa uma crescente demanda por bioinsumos aplicados aos diversos setores econômicos. O mercado está crescendo exponencialmente e estima-se que a agricultura movimente cerca de U$ 15 bilhões em 2024, com uma taxa de crescimento anual composta (TCCA) de 10% e atinja $ 43,5 bilhões em 2035.
No Brasil, observa-se nos últimos três anos um aumento no registro de produtos biológicos e o constante ingresso de novos produtos nacionais e importados no mercado, bem como o surgimento de novas empresas produtoras de insumos biológicos de diferentes portes, tanto de capital nacional, como internacional. Os insumos biológicos trazem uma economia anual ao País de aproximadamente R$ 165 milhões com a aplicação de produtos para controle biológico, e da ordem de U$ 13 bilhões com a exploração da fixação biológica de nitrogênio somente com a cultura da soja. Falando ainda do cenário brasileiro, o mercado de bioinsumos no País teve um crescimento de 15% na safra 2023/2024, atingindo R$ 5 bilhões em vendas, de acordo com a Crop Life Brasil. Esse aumento é impulsionado pela relação custo-benefício dos produtos biológicos e a sua compatibilidade com outras tecnologias agrícolas. O setor registrou uma taxa média anual de crescimento de 21% nos últimos três anos, quatro vezes superior ao crescimento global. Investimentos em inovação e o lançamento de novos produtos também contribuíram para esse avanço. O Brasil se destacou na produção global, com um crescimento de 30%, enquanto a média mundial foi de 18%, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
Os dados do Brasil revelam que a taxa de crescimento médio do setor de biodefensivos no Brasil entre 2018 e 2022 foi de 63% frente a 12.5% da taxa internacional no mesmo período. No nosso País, o valor do mercado de de biodefensivos, biofertilizantes e bioestimulantes foi de cerca de $10 bilhões em 2021, sendo que a projeção para 2030 é que atinjamos $30 bilhões, um crescimento de 200%. No caso dos biodefensivos, por exemplo, espera-se que o Brasil salte de R$ 3,4 bilhões em 2023 para R$ 16,9 bilhões em 2030.
Prof. Claud Goellner
Professor Titular Aposentado de Toxicologia, Ecotoxicologia e Toxicologia de Alimentos em cursos de Agronomia, Engenharia Ambiental, Farmácia, Engenharia de Alimentos e Medicina Veterinária em várias Instituições de Ensino Superior no Rio Grande do Sul. Atualmente consultor na área. Membro do Grupo Técnico em Bioinsumos da Confederação Brasileira de Agricultura (CNA) como representante da Farsul/RS.
Apoio:





