IMPORTÂNCIA DA QUEBRA DE DORMÊNCIA EM FRUTEIRAS DE CLIMA TEMPERADO

As fruteiras de clima temperado necessitam ser expostas a baixas temperaturas durante o outono e o inverno para superar a dormência e reiniciar o ciclo vegetativo normalmente. Entretanto, em diversas regiões produtoras do Sul do Brasil e em determinados anos, o acúmulo de frio é insuficiente ou ocorre de forma irregular, comprometendo os processos fisiológicos responsáveis pela brotação, floração e frutificação.

A deficiência de frio provoca estresse fisiológico nas plantas, podendo reduzir a brotação das gemas, prolongar e desuniformizar a floração, diminuir a frutificação efetiva e comprometer a produtividade e a qualidade dos frutos. Dessa forma, o monitoramento da evolução das horas de frio (< 7,2 °C) e das Unidades de Frio (Modelo Carolina do Norte Modificado), especialmente entre maio e agosto, constitui uma ferramenta indispensável para definir a necessidade e o momento de aplicação dos indutores de brotação.

 

A dormência é um processo fisiológico complexo e sua superação depende da interação entre o acúmulo de frio e o estado fisiológico das plantas. Assim, a decisão sobre o uso de indutores químicos deve considerar diversos fatores, entre eles:

  • quantidade e distribuição do frio acumulado;
  • espécie, cultivar e porta-enxerto;
  • condições climáticas da estação precedente;
  • formação e diferenciação das gemas;
  • crescimento dos ramos do ano;
  • entrada em senescência das folhas;
  • lignificação dos ramos;
  • acúmulo de reservas de carboidratos;
  • duração do ciclo vegetativo;
  • intensidade luminosa e temperaturas durante o período de crescimento.

 

Outro aspecto fundamental é o manejo realizado após a colheita. Nesta fase, as práticas culturais devem favorecer a manutenção da atividade fotossintética e o acúmulo de reservas, reduzindo os efeitos do estresse ambiental e preparando as plantas para uma brotação uniforme na primavera seguinte.

 

Até a presente data (10 de julho de 2026), tanto as horas de frio abaixo de 7,2 °C quanto as Unidades de Frio calculadas pelo Modelo Carolina do Norte Modificado encontram-se acima da média histórica nas principais regiões produtoras de fruteiras de clima temperado de Santa Catarina, tanto em áreas abaixo de 800 metros de altitude quanto em regiões acima de 1.200 metros de altitude (Tabela 1).

Tabela 1. Horas de frio (< 7,2 °C) e Unidades de Frio (Modelo Carolina do Norte Modificado) acumuladas até 06 de julho de 2026, comparadas com a média histórica, em diferentes regiões produtoras de Santa Catarina.

Em todas as localidades avaliadas observa-se acúmulo de frio superior à média histórica para o período, evidenciando condições favoráveis para a superação da dormência e para a ocorrência de uma brotação e floração mais uniformes. Além do elevado acúmulo de frio, não foram registradas temperaturas elevadas a partir da segunda quinzena de maio, condição que favorece a manutenção da dormência e caracteriza um inverno de excelente qualidade para as fruteiras de clima temperado. Esse cenário indica que, caso ocorram períodos com elevação das temperaturas nas próximas semanas, o processo de brotação e florescimento deverá ser desencadeado de forma rápida e uniforme, especialmente nas fruteiras de caroço e nas cultivares de macieira de menor exigência em frio.

Nessas condições, a ocorrência de um período com temperaturas máximas superiores a 24 °C deverá desencadear rapidamente o processo de brotação e floração, especialmente em fruteiras de caroço e em cultivares de macieira de menor exigência em frio.

Para a cultivar Eva, estima-se o início da brotação entre 20 de julho e 10 de agosto. Para as cultivares Gala e Fuji, a previsão situa-se entre 25 de agosto e 25 de setembro. Deve-se considerar, entretanto, que pomares localizados em altitudes mais elevadas normalmente apresentam brotação e florescimento antecipados em relação às regiões mais baixas.

As recomendações de produtos e respectivas doses para indução da brotação nas culturas da macieira, ameixeira e pessegueiro são apresentadas nas Tabelas 2, 3 e 4.

Tabela 2. Recomendações de indutores de brotação para macieira em condições de deficiência de frio.

José Luiz Petri¹; Everlan Fagundes²

1Professor do curso de Agronomia da Universidade Alto Vale do Rio do Peixe

petri@gegnet.com.br

2Everlan Fagundes

Scienfruti- Pesquisa em fruticultura

 

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