CONTROLE DO VIGOR DA MACIEIRA COM PODA E PRÁTICAS CULTURAIS

A melhor forma de controlar o vigor das árvores em pomares é através da produção e formação de brindilas e esporões. Uma vez atingida a formação da planta o crescimento anual das brindilas deve estar entre 20 e 30 cm. Plantas com brindilas com crescimento  superiores a 50 cm apresentam vigor excessivo e consequentemente não formarão estruturas de frutificação suficientes, não absorverão os carboidratos, sendo o crescimento direcionado para novos crescimentos, que dara maior vigor no ano seguinte.  Garantir uma boa frutificação é, portanto, necessaria para o controle do vigor das árvores, bem como para assegurar uma produção adequada e uma rentabilidade satisfatória do pomar. Quando o vigor é excessivo, a competição entre crescimento por carboidratos e os frutos em desenvolvimento pode priorizar o crescimento vegetativo pois estes são um dreno muito mais eficiente para os metabolitos que os frutos. Antes da adoção generalizada de porta-enxertos ananizantes, o excesso de vigor das árvores era uma causa comum de problemas na frutificação, e onde os pomares contêm porta-enxertos de alto vigor ainda podem ser um fator para a baixa frutificação.

O arqueamento dos ramos é um fator importante para o vigor da árvore. Ramos longos arqueados antes de ocuparem o espaço que lhe é alocado tem maior a probabilidade de formarem estruturas de frutificação e paralizar seu crescimento (Figura 1). Se houver muito vigor os ramos próximos à horizontal provavelmente apresentarão crescimento excessivo ao longo de todo o seu comprimento. Isso causa grande parte dos nossos problemas de sombreamento dentro da copa, levando ao desenvolvimento inadequado da cor dos frutos. Os tipos  de poda são cruciais para estabelecer a estrutura de ramos correta para uma copa de alta produtividade. Para que isto aconteça é necessário trabalharmos com a poda de inverno e a poda verde e também levarmos em consideração o sistema de condução.

Posicionar os ramos entre 30 a 50 graus abaixo da horizontal (Figura 2) é uma maneira eficaz de reduzir o vigor e induzi-los a frutificação. O final da primavera a inicio do verão, quando o crescimento dos ramos terminais estiver com forte crescimento, é considerada a melhor época para a condução dos ramos, tendo o cuidade de não realizar com altas temperaturas para evitar queimaduras dos frutos pela insolação, nesta situação pode se fazer logo apos a colheita, quando a  seiva está fluindo bem, os ramos são flexíveis, os ramos se fixam em sua nova posição em apenas duas a três semanas. A cultivar Gala tende  a ser um pouco quebradiças na bifurcação e podem se romper facilmente se a técnica de condução for inadequada. Tente não puxar o ramo em linha reta, essa ação lateral exerce uma pressão mínima na junção da bifurcação, tornando menos provável que o ramo se solte da sua mão enquanto você tenta dobrá-lo para a nova posição. Frequentemente, o ramo pode rachar, mas isso não é um problema, pois a ferida cicatrizará em duas a três semanas. Quando  o diâmetro do ramo ultrapassa 20 mm, se tornam muito difíceis de arquear, devendo os mesmos serem retirados, evitando o sombreamento.

Uma poda de verão pode ser uma técnica útil para controlar o vigor da planta, quando executada na primavera ou inicio do verão. Existem duas técnicas de poda de verão uma que consiste na retirada dos ramos na vertical e excesivamente vigorosos, o que leva a uma melhor entrada de luz estimulando a formação de gemas floriferas nos ramos remanescentes. Em pomares plantados em porta-enxertos anões com vigor relativamente baixo, o corte do ramo deve manter uma a duas gemas que formarão um novo ramo que formara botões florais. Este tipo de poda de verão, é claramente uma ferramenta útil para o manejo do vigor, devendo-se levar em consideração a cultivar, porta enxerto, sistema de condução e as condições ambientais que determinam a duração da estação de crescimento. Os novos sistemas de condução bidimensionais já tem em seu conceito o controle do crescimento através do arqueamento dos ramos e poda verde visando uma melhor distribuição de luz em toda a copa.

Como um complemento para controlar o vigor o anelamento do tronco é uma ferramenta que importante quando realizada corretamente, principalmente para porta enxertos vigorosos, pois o floema interrompe a translocação de fotoassimilados para as raízes. O período ideal para o anelamento vai da queda das pétalas até uns 30 dias antes da colheita. O anelamento na queda das pétalas proporciona a maior redução no vigor da árvore. Dependendo da técnica e do nível de vigor da árvore, é possível obter uma redução de mais de 50% no vigor com o anelamento na queda das pétalas.

Nos últimos anos, os reguladores de crescimento, tornaram-se importantes ferramentas de controle do vigor em macieiras. Esses reguladores de crescimento mostram potencial não apenas para reduzir a necessidade de poda, mas também para melhorar a produtividade e a qualidade dos frutos, o que é de fundamental importância para a competitividade e sustentabilidade da produção de maçãs. Quando bem manejados e em uma abordagem integrada com outras medidas de controle do vigor, são muito eficazes. Como todos os reguladores de crescimento, exigem manejo habilidoso para obter o máximo de seus benefícios.

 

Figura 1 –Ramos arqueados com formação de estruturas de frutificação e com alta frutificação.

 

Figura 2 – Ramos arqueados visando controle do vigor e formação de gemas floriferas.

 

José Luiz Petri

Professor UNIARP – Curso de Agronomia – Fruticultura

 

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