O USO DE HERBICIDAS AUXÍNICOS NO RIO GRANDE DO SUL E OS IMPACTOS DA DERIVA DE APLICAÇÃO EM CULTURAS SENSÍVEIS: CONHECENDO OS PRODUTOS

Os herbicidas auxínicos, também conhecidos como mimetizadores de auxina, são um grupo muito importante para agricultura brasileira. Entre os principais herbicidas com este mecanismo de ação estão: 2,4-D, dicamba, MCPA, fluroxipir, triclopir, picloram e o quincloraque. Atuam mimetizando a ação do hormônio auxina, quando aplicado sobre folhas largas, mas em gramíneas seu mecanismo de ação corresponde aos Inibidores da síntese de parede celular. Enquanto as auxinas ocorrem naturalmente em plantas e são importantes para o crescimento normal, elongação celular, controle do crescimento lateral e formação celular, doses crescentes de auxinas ou substâncias químicas sintéticas similares se comportam efetivamente como herbicidas causando várias anormalidades em dicotiledôneas sensíveis.
Duas moléculas que vêm sendo utilizadas no manejo de plantas em cultivos de grãos são o 2,4-D e o dicamba. Ambas são utilizadas sobretudo no controle de plantas daninhas na entressafra, antes da semeadura da soja, pensando principalmente no controle de buva e outras folhas largas. Os dois são muito importantes no manejo da resistência destas plantas daninhas, as quais o controle com glifosate e herbicidas inibidores da ALS tem perdido a eficácia nos últimos anos.
Os herbicidas auxínicos necessitam de maiores cuidados em relação a outros produtos, quanto aos riscos de deriva, pois podem causar fitotoxicidade a lavouras sensíveis vizinhas, como frutíferas (videira, macieira, noz pecã, oliveira) e hortaliças. A respeito dos riscos de deriva, novas formulações para dois herbicidas já estão disponíveis no mercado, e outras em breve para os demais. Essas novas formulações de 2,4-D e dicamba, além da aplicação na entressafra antes da semeadura da soja, também estão sendo aplicadas em cultivos transgênicos tolerantes: a soja Enlist E3, com tolerância a 2,4-D e outros herbicidas e a soja Xtend, com tolerância a dicamba e outros herbicidas.
Quando falamos destes herbicidas, estamos falando de 11 moléculas com diferentes modalidades de aplicação: pós-emergência, pré-plantio para manejo e dessecação, pós emergência e pré-plantio, pré- plantio em aplicações sequenciais e pré-emergência São eles: 2,4-D (arroz irrigado ,trigo, aveia, soja, pastagens e milho), dicamba (soja e soja transgênica), MCPA (trigo, aveia, cevada e soja), aminopiralide (pastagens), clopiralide (milho, sorgo, trigo, cevada, pastagens, aveia), florpirauxifen benzil (arroz), fluroxipir meptil (pastagens),halauxifeno metil (soja em associação com diclosulam), picloram (arroz irrigado, pastagens),triclopir butílico (arroz, pastagens, eucalipto, soja, milho e trigo) e quincloraque (arroz irrigado).
Também são registradas 8 misturas contendo herbicida auxínico e outro herbicida, ou misturas de herbicidas auxínicos (aminopiralide + 2,4-D, ametrina+diuron+MCPA, aminopiralide + fluroxipir, fluroxipir+picloram, fluroxipir + triclopir, picloram + 2,4-D, picloram + triclopir, cletodim+ fluroxipir meptil)
Ainda são registrados mais 7 herbicidas auxínicos e que não tem sido comercializado no Brasil e no Rio Grande do Sul (mecloprop, clomeprop, MCPB, dicloprop, quimeraque, benzolin etil e clorambem).
Para destacar a importância e o uso dos herbicidas auxínicos na agricultura brasileira, notadamente do 2,4-D, se pegarmos o volume de venda dos 14 produtos fitossanitários mais consumidos no Brasil no período de 2012-2022 (dados do IBAMA), este herbicida perfaz uma média anual de 208.576 t de i.a e correspondeu a 7,6% do total de vendas.
Para o período 2015-2022 no Brasil e, considerando-se somente os herbicidas auxínicos, o 2,4-D apresentou uma média anual de consumo de 55.656 t i.a e correspondeu a 89,6% do consumo total deste grupo, sendo o picloram o segundo mais consumido com uma média de 3.535 t i.a e perfazendo 5,69%.
No caso do Rio Grande do Sul (também dados do IBAMA), o total de vendas no período (2015-2022) foi de 54.495,94 t.i.a.com uma média anual de 6.812 t.i.a. O maior volume foi o do 2,4-D com 97,8% das vendas, seguido pelo picloram com 1,07% e do triclopir com 0,62%. O incremento no uso dos herbicidas neste período foi de 35,15%, sendo que o Rio Grande do Sul representou 10,97% do consumo total de herbicidas auxínicos no Brasil. O aumento no consumo do 2,4-D foi de 32,1%, enquanto que o do triclopir foi de 212,8%. O picloram teve um decréscimo de 15,5%.
Estes incrementos tiveram várias causas, entre as quais a variação na área cultivada das diferentes culturas onde são utilizados, a introdução e uso de novas moléculas a partir de 2018,novos registros para diferentes usos em novas culturas de produtos técnicos e formulados, a retirada do mercado do herbicida paraquat o que aumentou o uso da mistura glifosate+2,4-D por exemplo, o aumento no problema com certas espécies de plantas daninhas, como a buva, caruru e a introdução de soja transgênica resistente ao dicamba.
No próximo artigo iremos abordar os impactos do mau uso destes produtos associado com a deriva e os impactos nas culturas sensíveis, bem como toda as medidas que estão sendo discutidas e implantadas para minimizar o problema.

Prof. Claud Goellner

 

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