10 dez

Nutrientes exportados e estocados em diferentes órgãos de cultivares de macieira

Frutíferas perenes como a macieira, apresentam longo período de absorção de nutrientes via solo. Os nutrientes absorvidos são translocados para a parte aérea e cumprem inúmeras funções nas plantas, como promover o crescimento dos novos tecidos, compor parte da estrutura de inúmeros compostos, catalisar a ação de enzimas e participar de importantes eventos fisiológicos como o florescimento, frutificação e crescimento dos frutos. O objetivo do fruticultor são plantas equilibradas nutricionalmente. Isto quer dizer que os teores dos nutrientes nos distintos tecidos devem estar dentro de faixas de suficiência, proporcionando alta produção de frutos de qualidade, mas que também mantenham esta qualidade após armazenagem.

Dos nutrientes absorvidos/extraídos do solo ou recebidos via foliar durante um ciclo de produção da macieira, uma quantidade considerável dos nutrientes é translocada para os frutos e sairá do pomar. Por isso, denominamos estes nutrientes subtraídos como exportação e as quantidades exportadas pelos frutos são conhecidas pelo setor (Schveitzer et al; 2019) e utilizadas para definição de doses de fertilizantes aplicadas anualmente. Parte dos nutrientes constituirão novas folhas, as quais no fim do ciclo senescem, caem e se decompõem no solo. Muitos destes nutrientes poderão voltar a ser absorvido pelas plantas, o que denominamos de ciclagem de nutrientes. Outra forma de ciclagem de nutrientes ocorre com os ramos podados, os quais invariavelmente são triturados na entrelinha e os nutrientes também poderão ser absorvidos em ciclos futuros.

Porém, uma quantidade considerável de nutrientes permanece imobilizada nas plantas de macieira em estruturas como ramos permanentes, tronco e raízes. A pergunta que precisamos responder: conhecemos a quantidade de nutrientes estocados nos diferentes órgãos de cultivares de macieira? Para as principais cultivares do Sul do Brasil estes dados não estão disponíveis, o que nos motivou a realizar esta pesquisa.

Quatro plantas de macieira adultas, em plena produção, das cultivares Maxi Gala (MG), Fuji Suprema (FS) e Daiane (DA), localizadas em Caçador-SC, e Royal Gala (RG) e Fuji Mishima (FM), localizadas em Santa Cecília-SC foram utilizadas na avaliação. MG, FS e DA apresentavam espaçamento entre plantas de 2,0 m e entre fileiras de 5,0 m, totalizando 1000 plantas/ha. RG e FM apresentavam espaçamento entre plantas de 1,0m e entre fileiras de 3,5m, totalizando 3000 plantas/ha. Todas as cultivares estavam enxertadas sobre porta-enxerto Marubakaido com filtro M-9.

 

Os frutos foram colhidos e as plantas arrancadas após a colheita. A parte aérea das plantas foi cortada rente à superfície do solo, e separada em folhas, caule+ramos e as raízes foram separadas do solo. Os órgãos foram pesados para determinação da massa fresca, secados e pesados novamente para determinação da massa seca e teores de macro (N, P, K, Ca, Mg e S) e micronutrientes (Zn, Fe, Cu, Mn e B).

A biomassa fresca das plantas foi de 67,7; 97,6; 73,5; 135,7 e 112,3 kg/planta, respectivamente para RG, MG, FS, FM e DA (Figura 1). O caule+ramos representou o órgão com a maior biomassa em todas as cultivares, respectivamente, 46,1; 43,5; 41,3; 35,4 e 31,9% para RG, MG, FS, FM e DA. As raízes foram o segundo órgão com maior biomassa nas cvs RG e FS, respectivamente, e os frutos a segunda maior biomassa nas cvs MG, FM e DA. As folhas representaram a menor partição da biomassa (1,0 a 4,3%).

Considerando a densidade de plantas das cinco cultivares cultivadas em 1 ha, o Ca (583,6 kg/ha) é o nutriente mais acumulado na média das 05 cultivares, seguido por N (548,8 kg/ha), K (299,5 kg/ha), S (210,7 kg/ha), Mg (71,6 kg/ha)  e P (67,7 kg/ha)  (Tabela 1). Dentre os micronutrientes, a ordem decrescente de elementos presentes nas plantas é Fe, Mn, B, Cu e Zn (Tabela 2).

O caule+ramos foi o órgão que mais acumulou nutrientes para todas as cultivares. Em média, cerca de 50% dos macronutrientes estão no caule+ramos. Em seguida, as raízes acumularam maiores quantidades de macronutrientes. Folhas e frutos apresentam as menores quantidades acumuladas. Para frutos, destaca-se o K, pois em média 14,7% de todo o elemento está neste órgão e é exportado anualmente. Este resultado confirma a importância que deve ser dada a este nutriente, pois precisa ser reposto em maior quantidade que os demais. O Ca, por outro lado, é o nutriente exportado em menor quantidade pela colheita; apenas 0,6% na média das 05 cultivares está presente nos frutos.

Fe, Mn e Zn são micronutrientes que estão presentes em maiores quantidades nas raízes. Já Cu e B estão presentes em maiores quantidades em caule+ramos. As folhas destacam-se para os micros Mn, Zn e Cu, pois cerca de 20% do total está acumulado nas folhas. De um modo geral, os frutos exportam pouco Fe (0,2%), Mn (2,9%) e Zn (1,9%), porém quantidades mais altas de Cu (6,7%) e, principalmente, B (13,8%).

Nós destacamos que as grandes quantidades de nutrientes acumulados em órgãos que representam estruturas permanentes na planta (caule+ramos e raízes) ou de nutrientes que reciclam no pomar (folhas e ramos podados) ajudam a explicar a baixa resposta de macieiras à adubação. Muitos nutrientes imobilizados são móveis no floema da planta (N, P, K e Mg) e podem ser translocados para órgãos de crescimento anual, como folhas, ramos e frutos. Assim, o esgotamento destas reservas minerais ocorre somente em muitos ciclos de produção.

As informações obtidas neste trabalho são desconhecidas para pomares conduzidos no Sul do Brasil e podem ajudar a definir um manejo específico de nutrientes via adubação em cada cultivar. O manejo de nutrientes em pomares de macieira deve levar em conta o conhecimento da distribuição da biomassa e nutrientes em diferentes órgãos das plantas.

 

Referências

SCHVEITZER, B.; HAHN, L.; PETRI, J.L. Exportação de nutrientes pelos frutos de macieira ‘Gala’ e ‘Fuji’ em pomares com diferentes produtividades e regiões. Revista Agropecuária Catarinense, v.32, n.3, p.44-46, 2019.

Leandro Hahn1, Thyana Lays Brancher 2, Daiane Susin3; Karol Cavalheiro Rosa3; Rafaela Walesko Elias3; Maurício Marcondes4

 

1 Pesquisador da Epagri/Estação Experimental de Caçador, Caçador-SC. E-mail: leandrohahn@epagri.sc.gov.br;

2 Professora do curso de Agronomia da Universidade Alto Vale do Rio do Peixe (Uniarp), Caçador-SC.

3 Estudantes de Agronomia da Universidade Alto Vale do Rio do Peixe (Uniarp), Caçador-SC.

4 Instrutor Técnico do Senar-SC, Fraiburgo-SC.

 

 

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