17 mar

Programas com Alternância de Fungicidas são mais eficientes no manejo da Podridão Carpelar em maçãs

Durante a produção de maçãs, diversas doenças podem comprometer a produção e a qualidade dos frutos. Entre estas, a Podridão Carpelar (PC) se destaca, pois pode ocorrer desde o pomar até a comercialização das frutas, sendo capaz de causar prejuízos aos produtores, quando os frutos apodrecem ou caem antes da colheita, assim como às marcas que comercializam as maçãs, quando os sintomas são percebidos apenas quando as frutas são abertas pelo consumidor.

A PC em ‘Fuji’ é causada por um complexo de várias espécies de fungos como Fusarium spp., Alternaria spp., Botrytis cinerea, Neofabraea spp., Botryosphaeria spp., Glomerella cingulata, entre outros (Valdebenito Sanhueza, 2004). A infecção ocorre durante a florada da macieira e, após os fungos se estabelecerem nas regiões carpelares, o controle se torna muito complicado.

Os sintomas da doença podem aparecer conforme ocorre a maturação dos frutos no pomar, durante a armazenagem ou somente serem notados quando chegam ao consumidor final. Diante deste cenário, é necessário e urgente encontrar opções que exerçam bons níveis de controle desta doença nos pomares.

O melhor nível de controle da PC foi obtido com três aplicações de fosfito de potássio no início, plena e final de floração (Reuveni et al., 2003). Diversos experimentos têm sido conduzidos na Estação Experimental de São Joaquim com o objetivo de encontrar e disponibilizar opções de produtos para utilização no manejo de PC.

Nos últimos ciclos, entre setembro e abril, plantas do pomar experimental de macieira cultivar Fuji (copa), enxertada sobre o porta-enxerto Marubakaido, foram pulverizadas com diferentes programas utilizando fungicidas e comparando com o tratamento controle (P1), que consistiu em aplicação de água.

Em um experimento, os tratamentos utilizados foram: P2: Approve aplicado na plena floração (F2); P3: Score, Metiltiofan, Mythos e Orkestra aplicados no início da floração (F), F2, final da floração (G) e queda das pétalas (H), respectivamente; P4: Score, Approve, Mythos e Orkestra aplicados em F, F2, G e H; P5: Dodex, Metiltiofan, Mythos e Orkestra aplicados em F, F2, G e H, respectivamente; P6: Dodex, Approve, Mythos e Orkestra aplicados em F, F2, G e H; P7: Trifmine, Metiltiofan, Mythos e Orkestra aplicados em F, F2, G e H; P8: Tiofanato aplicado em F2.

Em outro experimento, os tratamentos utilizados foram: P2: Approve aplicado na plena floração (F2); P9: Alterne, Metiltiofan, Unix e Orkestra aplicados no início da floração (F), F2, final da floração (G) e queda das pétalas (H), respectivamente; P10: Alterne, Approve, Unix e Orkestra aplicados em F, F2, G e H; P11: Fegatex, Metiltiofan, Mythos e Orkestra aplicados em F, F2, G e H, respectivamente; P12: Fegatex, Approve, Mythos e Orkestra aplicados em F, F2, G e H; P8: Tiofanato aplicado em F2.

Com exceção do tratamento controle, todos os produtos foram utilizados nas doses comerciais e diluídos em 100 litros de água, de acordo com os estádios fenológicos, no início da floração, plena floração, final de floração e queda de pétalas, seguindo escala proposta por (Enz & Dachler, 1997), antes de períodos chuvosos. Todas as parcelas receberam os tratamentos padrões para Sarna.

Em pré-colheita, foi avaliada a incidência da PC nas plantas tratadas. O delineamento foi em blocos casualizados, com quatro repetições por tratamento. Foi realizada a análise estatística e o Teste de Scott-Knott com o software R.

Nesses experimentos, os programas P3, P4, P5, P6, P7, P9, P10, P11 e P12 apresentaram incidência de podridão carpelar similares entre si, mas menor que a testemunha e menor que os programas P2 e P8, os quais apresentaram incidência de podridão carpelar similar entre si e menores em relação à testemunha.

Apesar da redução da incidência da doença, nenhum programa testado foi capaz de impedir a ocorrência da PC. Porém, com os resultados obtidos, é possível verificar que a utilização das diferentes combinações de fungicidas pode ser interessante no manejo da PC, sendo fundamental que o produtor realize a alternância dos fungicidas no manejo das doenças.

Além disso, rotacionar os produtos utilizados é ainda mais importante para PC, pois existem muitos agentes causais e a utilização do mesmo fungicida pode levar a uma seleção de populações resistentes. Os produtos podem ter efeitos diferentes em cada gênero e espécie envolvidos, sendo interessante utilizar mais de um produto para maior abrangência de controle, reduzindo a incidência da doença a níveis satisfatórios e causando menores prejuízos à cadeia produtiva da maçã.

Figura 1. Eficiência de programas de fungicidas no manejo da Podridão Carpelar em Maçãs Fuji em São Joaquim.

 

Referências:

ENZ, M.; DACHLER, C. Compendium of growth stage identification keys for mono-and dicotyledonous plants–extended BBCH scale. Allcomm Business Communication: Bezug, Germany, 1997.

REUVENI, M.; SHEGLOV, D.; COHEN, Y. Control of moldy-core decay in apple fruits by β-aminobutyric acids and potassium phosphites. Plant disease, v. 87, n. 8, p. 933-936, 2003.

 

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