Sobre plantar e colher
Estamos no início de 2026, nova safra, novos desafios.
Como sempre, cheio de incertezas, porém com as expectativas renovadas.
A Safra de maçã sinaliza ser um pouco maior em relação ao volume, próximo de 20 por cento acima de 2025 , a qualidade melhor, tanto em calibre como em categoria.
A estratégia dos produtores e empresas embaladoras sempre é muito relevante, em anos com safra grande, maior ainda.
Proporcionalmente ao crescimento da safra deverá ser a nossa adaptação, seja no pomar, Packing House ou na área comercial.
Sabemos que quanto maior a oferta mais exigente fica o mercado, qualidade é ainda mais importante.
O aproveitamento no Packing tende a diminuir, temos que cuidar, excesso de oferta, principalmente nas frutas mais fracas (sacolão e calibres muito miúdos principalmente), acaba forçando o preço para baixo.
Viemos de safras pequenas, com preços ajudando a compensar um pouco a quebra.
Nosso custo vem subindo ano a ano, mesmo que a safra aumente, os custos não cairão proporcionalmente, ou seja, temos margem apertada e teremos que trabalhar muito para não deixar cair o preço.
Mão de obra difícil e com custo alto, difícil equilibrar. Novos métodos de condução, porta enxerto, investimento em tecnologias é o que podemos e temos feito, tende a ser cada vez mais necessário.
Também mudou o patamar da importação e da exportação, importamos perto de 210 mil toneladas e exportamos próximo de 13 mil toneladas em 2025, quanto maior a safra, maior a necessidade de inverter estes números.
Outras frutas e produtos estão sofrendo grande impacto por ter uma safra grande. Pêssegos e ameixas chegaram a ser jogados fora devido ao excesso de produção e falta de mercado, tem previsão de grande safra de uva, isso força o mercado, inclusive para maçã indústria, que já vem sofrendo impacto das tarifas americanas.
Economia, como sempre uma incógnita. Aumento de impostos? Copa do mundo, feriados, eleições, qual o impacto? Redução da jornada, maior dificuldade na mão de obra?
Muitas variáveis. O que não muda é que temos que seguir, trabalhar cada vez mais, fazer o possível, afinal ainda nem começamos.
Como sempre, seguimos buscando produtividade e na expectativa de termos mercado comprador.
Boa safra a todos nós!
Adriano Telles
Vice presidente de comercialização Agapomi
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