INTRODUÇÃO
No início do ciclo de crescimento da macieira se encontram estruturas dos patógenos que sobreviveram durante o período de dormência, exemplo disso é a presença nas folhas de estruturas de Venturia, Colletotrichum sp, Alternaria e Marssonina. Nos ramos, principalmente de 1 ou 2 anos, se podem detectar estruturas de Neofabraea e, nas gemas, podem sobreviver praticamente todos os patógenos que infectam macieiras. Ainda pode-se observar a presença dos principais patógenos que causam as podridões de verão nas múmias que ficam no campo e nas galhas de raízes (burrknot). Sendo que a eficiência do controle químico depende da quantidade de esporos no pomar e/ou na região, as atividades prévias ao início do ciclo e antes da supressão da dormência devem incluir práticas culturais e tratamentos químicos ou biológicos para reduzir a quantidade de inóculo presente no pomar durante o início do ciclo vegetativo, seguindo com os tratamentos de proteção.
O CANCRO EUROPEU
Essa doença é a maior ameaça para a pomicultura no presente, isso porque infecta pomares novos e velhos, comprometendo a viabilidade do grande investimento do produtor. A necessidade de prevenção de infecções por Neonectria deve considerar que o inóculo desse patógeno pode estar presente no ciclo inteiro, que ele é dispersado pelos respingos de chuva, pelo vento e que todas as cultivares são suscetíveis (Figura 1). Por essa razão, é indispensável a remoção e incineração dos cancros durante o inverno antes da supressão da dormência. No período de crescimento das plantas, a melhor estratégia de controle será usar fungicidas que são recomendados para sarna e outras doenças que também controlem o patógeno Neonectria, visto que a eliminação dos cancros não é 100% possível.
Para diminuição da podridão calicinar por Neonectria deve-se proteger os ferimentos da queda ou raleio de flores e frutos novos até 40 dias da plena flor e retirar do pomar, com posterior destruição dos frutos com podridão calicinal. Estender a proteção até dezembro com fungicidas que controlem Venturia, Colletotrichum e Neonectria para controle das lesões dos frutos e dos cancros em brindilas e esporões.
A proteção dos ferimentos por corte das podas feitas durante todo o ciclo deve assegurar a proteção durante os 15 dias após o corte. Em pomares novos é necessária a remoção e incineração das plantas com cancro. Nessas plantas, raramente há sucesso dos tratamentos de cancros, pois o patógeno circunda o tronco rapidamente sem se verificar sintomas.
Recomendações de controle químico e biológico
A eficiência dos tratamentos de controle e também a variação da suscetibilidade de variedades serão menores quanto mais inóculo tiver no pomar (Figura 1).
Algumas recomendações para proteção dos cortes de poda até dezembro incluem o uso de pulverizações com Fosfito de Potássio ou Fosfito de Cobre associado ao Captan e a repetição do tratamento quando a chuva exceder os 35 mm durante 15 dias (Tabela 3), Tinta com Clorotalonil 2 mL/L ou com Aliette mais Cercobim e Tebuconazole, 1,5 0,9 e 0,7mL/L de Tinta.
Os fungicidas necessários para o controle de outras doenças também são efetivos para Neonectria se incluem alguma estrobilurina (pyraclostrobin, pyralostrobin + fluxapiroxade), IBEs (tebuconazole), e carboxamidas (Boscalid), além de benzimidazóis (Tiofanato metílico) e fungicidas de contato (Cúpricos, calda sulfocálcica 2%, Captan, Delan, Dodine e Migiwa). Também se podem citar Desinfetantes (ácido peracético) e Aliette. Os biofungicidas exercem controle menor que os outros produtos já citados (Tabela 1 e 2).
Trabalhos com cada fungicida sítio-específico são necessários para entender melhor o comportamento deles. Em teste com frutas inoculadas, Captana, Fludioxonil, Ipflufenoquina (Migiwa), Tebuconazole e Tiofanato metílico foram eficientes sobre Neonetria e também sobre um isolado selvagem de Colletotrichum chrysophilum.
Novos estudos são importantes para abordar o controle das diferentes espécies dos complexos de Colletotrichum no campo bem como o desenvolvimento de pesquisa que aborde o levantamanto da sensibilidade dos patógenos da macieira aos fungicidas utilizados na atualidade tanto em pré como em pós-colheita no Brasil.
Rosa Maria Valdebenito Sanhueza, Vinicius Adão Bartnicki, Paloma Souza Minuzzo, Alessandro Daher Filho, Eduardo de Souza Santos
Centro de Pesquisa Proterra- Vacaria -RS.





